Teerão, 3 de novembro de 2026 – O Irão admite alargar a sua resposta a instalações militares norte-americanas na Europa, caso os Estados Unidos lancem novos ataques contra o país. O Reino Unido, a Alemanha, a Itália e Portugal foram apontados como possíveis alvos, segundo declarações de um deputado iraniano divulgadas pelos meios de comunicação do país e citadas pelo jornal britânico The Times.
O aviso partiu do deputado e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Manouchehr Mottaki. Numa intervenção na televisão estatal, afirmou que um novo conflito não ficaria limitado à região e chegaria à Europa. Defendeu ainda que os países que acolhem bases americanas seriam considerados parceiros de Washington e poderiam sofrer represálias.
Mottaki justificou a referência aos quatro países com o uso que os Estados Unidos fazem de instalações militares nos seus territórios. Em Portugal, está em causa a Base das Lajes, nos Açores. O Governo de Luís Montenegro defendeu em outubro a autorização de voos militares americanos, argumentando que estão sujeitos a condições legais e têm caráter defensivo.
Cabos submarinos também na mira
Em outubro, dois altos responsáveis de segurança iranianos disseram à agência Reuters que Teerão tem planos para atacar cabos submarinos de comunicações no Golfo Pérsico, se o país voltar a ser atacado pelos Estados Unidos e por Israel. Um deles acrescentou que o Irão tentaria impedir a reparação dos cabos, para prolongar as perturbações.
Os cabos submarinos transportam cerca de 99% do tráfego internacional de dados, mas menos de 1% da largura de banda internacional passa pelo Estreito de Ormuz. Por isso, um ataque afetaria sobretudo os países do Golfo e não a internet mundial.
Dúvidas sobre o alcance dos mísseis
Responsáveis de segurança ocidentais, citados pelo The Times, consideram que os mísseis iranianos poderão não alcançar muitas das bases na Europa. Admitem, no entanto, que Teerão possa recorrer a grupos armados, redes criminosas, ciberataques e ações terroristas.
Tensão aumenta após ataque à ilha de Qeshm
As ameaças surgem numa altura de nova tensão. Esta terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou um ataque contra uma instalação antiaérea iraniana, descrevendo-o como menor. Segundo vários meios de comunicação, o alvo foi a ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, e responsáveis americanos classificaram a operação como defensiva.
Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país está pronto para o combate. Já o Presidente Masoud Pezeshkian declarou que um regresso à guerra não beneficiaria ninguém. O Qatar, um dos mediadores, disse manter a esperança num acordo provisório.
Redação BissaGuéTv


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