Nairóbi, 4 de novembro de 2026 – A corrupção custa ao Quénia cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano, sobretudo através do aumento do défice público e da necessidade de mais endividamento, alerta o novo relatório do Banco Mundial sobre a economia queniana, divulgado esta quarta-feira.
O documento, a mais recente edição do Kenya Economic Update, descreve a corrupção como “o principal obstáculo” ao crescimento do país e encoraja o Governo a avançar com reformas anticorrupção.
Empresas e trabalhadores afetados
Segundo o relatório, 39% das empresas apontam a corrupção como o principal entrave à sua atividade. O Banco Mundial refere ainda que os riscos de corrupção encarecem o crédito ao Estado e aumentam os custos da energia e dos transportes.
O impacto chega também aos trabalhadores informais. Os condutores de mototaxís, conhecidos no Quénia como boda boda, pagam entre 5% e 20% dos seus ganhos diários em subornos, de acordo com o documento.
Reformas poderiam criar milhões de empregos
O Banco Mundial estima que reformas moderadas de governação poderiam aumentar o PIB em 8,7% até 2035, em comparação com um cenário sem reformas. Medidas mais ambiciosas poderiam criar 7,7 milhões de empregos adicionais.
“O controlo da corrupção está atrás dos países comparáveis, o que acrescenta custos às finanças públicas”, afirmou Qimiao Fan, diretor do Banco Mundial para a África Oriental, sublinhando que “a maioria destas reformas não exige despesa adicional”.
Previsão de crescimento revista em alta
No mesmo relatório, o Banco Mundial reviu em alta a previsão de crescimento da economia queniana para 2026, de 4,3% para 4,6%. A instituição alerta, no entanto, para riscos como o descontrolo das contas públicas e a incerteza em torno das eleições gerais de agosto de 2027.
Fontes: Banco Mundial (Kenya Economic Update), Reuters, Citizen Digital
Redação BissaGuéTv


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