Moscovo, 28 de outubro de 2026 – O primeiro-ministro do Burkina Faso, Rimtalba Jean Emmanuel Ouédraogo, reafirmou que o país não aceita qualquer tutela estrangeira e quer parcerias baseadas no respeito mútuo, na igualdade entre Estados e na defesa da sua soberania. A mensagem foi deixada numa entrevista ao canal russo RT, concedida na terça-feira, 27 de outubro, à margem da terceira Cimeira Rússia–África, em Moscovo.
O chefe do Governo burquinense criticou as relações de dominação, os acordos desequilibrados e as ingerências externas, e apresentou a rutura com a política francesa como parte de um processo de emancipação nacional. Ainda assim, fez questão de separar o povo francês das políticas que contesta: “Não temos nada contra o povo francês”, afirmou.
“Outro tipo de cooperação”, não outra dependência
Questionado sobre as críticas de que o Burkina Faso apenas trocou a França pela Rússia como parceiro dominante, Ouédraogo rejeitou essa leitura. Segundo o primeiro-ministro, o país deixou um tipo de cooperação para adotar outro, assente em relações transparentes, equilibradas e com benefícios para ambas as partes.
Com a participação na cimeira, Ouagadougou pretende reforçar a formação, atrair transferência de tecnologia e aumentar a capacidade de produção nacional, sobretudo para responder às necessidades alimentares e transformar os recursos mineiros dentro do próprio país. Estas prioridades seguem a linha do Presidente da transição, o capitão Ibrahim Traoré, centrada na soberania económica.
Segurança: Governo fala em 74% do território consolidado
Na entrevista, o primeiro-ministro falou ainda de uma melhoria gradual da situação de segurança. De acordo com o Governo, mais de 74% do território está consolidado, o que inclui zonas reconquistadas, protegidas de forma duradoura e para onde regressaram populações deslocadas.
Ouédraogo destacou também o contributo da parceria com a Rússia para as Forças Armadas burquinenses, sobretudo na formação para o uso de equipamentos e no reforço das capacidades operacionais.
AES e a “guerra da informação”
O chefe do Governo denunciou ainda campanhas de desinformação dirigidas aos países da Confederação dos Estados do Sahel (AES), que junta o Burkina Faso, o Mali e o Níger. Para as autoridades de Ouagadougou, defender a soberania passa também por os países do Sahel conseguirem fazer ouvir as suas posições a nível internacional.
Em Moscovo, a mensagem do Burkina Faso foi clara: diversificar os parceiros sem abdicar da independência nas decisões do país.
Redação BissaGué, com Primatura do Burkina Faso

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