Os partidos árabes de Israel surgem como a força decisiva na formação do próximo governo, segundo as sondagens à boca das urnas divulgadas após o fecho das mesas de voto nas eleições legislativas de 27 de outubro. Os resultados oficiais ainda não são conhecidos.
Segundo as projeções das televisões israelitas, as duas formações árabes, a Lista Conjunta e a Lista Árabe Unida (Ra’am), somam entre 16 e 18 lugares no Knesset, o Parlamento de 120 deputados. No Parlamento cessante tinham 10. A subida está associada a uma participação elevada do eleitorado árabe, com relatos de celebrações em cidades árabes do país.
Nenhum bloco chega aos 61 lugares
As projeções variam consoante o canal. Na do Canal 13, o bloco da oposição, que procura substituir o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, teria 53 lugares, o bloco de Netanyahu 50 e os partidos árabes 17. Os canais 11, 12 e 13 deram, em conjunto, 52 lugares à oposição, 50 à coligação e 18 aos partidos árabes. Uma outra sondagem, da i24NEWS, aponta um cenário diferente: 55 lugares para o bloco de Netanyahu, 49 para o da oposição e 16 para os partidos árabes.
Em todos os cenários, o Likud, partido de Netanyahu, surge como a maior força isolada, mas nem o bloco do primeiro-ministro nem o da oposição, em torno de Gadi Eisenkot, alcançam os 61 lugares necessários para formar governo. Sem os votos dos partidos árabes, a oposição não teria maioria.
Reações
O líder da Lista Árabe Unida, Mansour Abbas, afirmou esperar que os números permitam ao bloco da oposição e ao seu partido garantir os 61 lugares. Do lado oposto, Bezalel Smotrich, líder do Sionismo Religioso, declarou que o seu partido não vai deixar os árabes israelitas celebrar a participação recorde.
Eisenkot alertou contra a realização de novas eleições, enquanto o presidente do partido Reservistas, Yoaz Hendel, cuja formação não ultrapassaria o limiar eleitoral segundo as projeções, considera que os dois blocos estão num impasse e que o país caminha para novo ato eleitoral.
Se as projeções se confirmarem, a oposição terá de abrir negociações com os partidos árabes para reunir a maioria necessária. Os resultados finais determinarão se essa via é possível ou se Israel volta a um impasse político.
Redação BissaGué

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